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O Custo da Irresponsabilidade 

O alto custo da irresponsabilidade


Kátya Desessards*
Sandro Schmitz** 

Nas últimas semanas tivemos uma sequência de anúncios – tratados aqui no i-press.biz na coluna Conjuntura -  que evidenciam a falácia da capacidade de um governo atuar de forma eficaz como agente econômico em uma economia de mercado. Os fatos mostram, de forma sequencial, uma clara visão da máquina estatal ao atuar como empresa... de que funciona apenas quando consegue se valer dos recursos do Tesouro do Estado ou quando recorre a modus operandi que modificam artificialmente o cenário econômico. Há uma realidade mascarada até então... Vejamos:

Primeiro foi o anúncio do dia 6 de agosto, do prejuízo da Petrobras nos meses de abril e junho desse ano, fato que não ocorria há 13 anos. Somados o prejuízo soma o valor de R$ 1.34 bilhão. A direção da empresa correu para culpar a alta do dólar pelo prejuízo em suas contas, mas tal atitude nem devia ser cogitada por eles por duas razões: 

- Primeiro, há meses todo o setor econômico afirmava categoricamente que a economia brasileira não suportava o dólar em níveis de R$ 1,60 por muito tempo e, em função disso o Banco Central vinha tomando medidas para que o valor subisse há meses, portanto, era previsível que isso ocorresse a qualquer momento;
- Segundo, usando esse argumento a empresa expõe sua área de planejamento, visto que admite que seu pessoal não considerou em momento algum o cenário de um aumento do dólar, mostrando despreparo.

Novamente, o erro é de uma empresa pública, mas quem irá pagar irá ser o setor privado, pois o governo já anunciou um aumento dos combustíveis com claros objetivos de tapar o furo nas contas. Mesmo se admitindo que a alta do dólar colaborou para o prejuízo, este fato não deve ser separado dos pesados investimentos realizados em poços de petróleo secos no valor de R$ 2,73 bilhões. Essas despesas não afetam o lucro bruto da empresa, mas têm impacto direto no resultado operacional, incluindo o lucro antes de impostos, depreciação e amortização (ebitda, na sigla em inglês).

Outro dado importante nesse cálculo que a Petrobras não está apresentando é o prejuízo de R$ 7,03 bilhões da área de abastecimento e refino, onde são lançados os custos com importação de combustíveis vendidos no País mais barato que o preço de aquisição. Apenas nesse semestre foi apresentado nos relatórios uma importação de 34% a mais de petróleo na comparação ao mesmo período em 2011, assim sendo, no primeiro semestre de 2012 a Petrobras acumulou saldo líquido negativo de R$ 9,4 bilhões em função da diferença entre as despesas com a importação de gasolina e diesel e a receita obtida com as vendas no País. 

Culpar apenas o câmbio é desconsiderar o alto grau de profissionalismo e preparo do mercado brasileiro e um enorme desrespeito com os milhares de investidores que a empresa possui no País. 

Outro sobressalto
Quatro dias após, no dia 10 de agosto, nova surpresa no mercado. A Caixa Econômica Federal (CEF) publica seu balanço do semestre e para surpresa geral anuncia que sua carteira de crédito está alavancada em 27,9, ou seja, seu ativo total é de 27,9 seu patrimônio líquido. O Banco do Brasil realizou a divulgação de seu balanço na mesma data e anunciou também a alavancagem total de 16,9 vezes seu patrimônio líquido. O que chama a atenção é o fato de que essa alavancagem é apenas nas carteiras de crédito, não incluindo todas as outras. 

Nos bancos privados as alavancagens são as seguintes: Itaú, 11,8 vezes seu patrimônio líquido em todas as carteiras conjuntas, Bradesco, 13 seu patrimônio líquido em todas as carteiras conjuntas, e, Santander, 6.6 seu patrimônio líquido em todas as carteiras conjuntas. Como se pode ver, o nível de comprometimento dos bancos privados é bem menor, visto que essas alavancagens envolvem todas as carteiras dos bancos, ou seja, crédito em geral. Obviamente que a CEF não saiu impune a isso, o índice de Basiléia que mede o nível de risco da instituição da instituição financeira recuou de 14.5% do ano anterior para 12.9% em junho desse ano que mede a capacidade de alavancagem do banco.

Por conta desse cenário, o governo federal garantiu que até o final do ano a instituição irá receber um novo aporte de capital para ocorrer ainda esse ano com garantia do Ministério da Fazenda para cumprimento dos programas governamentais. A instituição prevê um aumento na concessão de credito, ainda nesse ano, em patamares de 34.4%. Como disse antes, uma nova conta a ser paga pela população, dessa vez por meio do dinheiro dos impostos.

Se tal fato fosse feito com bancos privados, esses níveis de alavancagem que pudessem por em risco a saúde do sistema financeiro não faltariam membros do governo, assim como de entidades ligadas aos partidos do governo a acusar os irresponsáveis do setor privado, contudo, no atual cenário ninguém fala da atual sistemática de violação permanente das mais basilares regras do Sistema de Basiléia de gestão de risco financeiro, curiosamente, em meio a uma crise financeira mundial, originada de uma série de erros em função de riscos assumidos justamente na concessão de créditos e procedimentos errôneos de alavancagem. 

O argumento utilizado por muitos de que, “60% do crédito alavancado da CEF é em crédito imobiliário, o crédito com menor grau de risco que existe, com menor índice de inadimplência no mercado”. Concordo em partes, isso porque, alguém, por favor, poderia me dizer, qual a origem remota da presente crise mundial? Respondo, para facilitar. Não seriam as sub-primes, originadas das hipotecas (“mortages”), crédito imobiliário nos Estados Unidos da América, cujo crédito alavancado, diversas vezes, e feito resseguro era praticamente 100% garantido? Prudência, nunca é ruim, principalmente quando se pode contaminar todo o sistema financeiro.

Quando se esperava que o mundo financeiro pudesse se tranqüilizar fomos surpreendido por uma notícia bombástica no dia 20 de agosto de 2012. Nota do BNDES divulgou que seu lucro líquido caiu 48% em relação ao primeiro semestre de 2011. O Banco lucrou em 2012 o valor de R$ 2,7 bilhões, enquanto no ano de 2011 o valor foi de R$ 5,3 bilhões. 

A instituição colocou a culpa na crise internacional e sua influência no mercado acionário, em especial nos investimentos de renda variável, entretanto a renda fixa tem garantido uma redução na inadimplência da instituição. É curioso perceber que uma instituição que acompanha de perto todas as principais decisões econômicas do país, não possui um setor de estratégia que antecipe esse tipo de comportamento de mercado. 

É preocupante quando se percebe que um Banco de Desenvolvimento afirma que a renda fixa colaborou com 68.2% do resultado do semestre em termos de lucro liquido em um momento em que essa espécie de rendimento passa a ser o menos recomendável no mercado pelos baixos índices, em virtude das baixas taxas de juros. Nesses momentos se percebe que existe algo que não fecha a conta... em Brasília 

Preocupa o anúncio do BNDES porque estamos em uma fase de que se necessita fortes investimentos no país em infraestrutura e projetos de vital importância e me desagrada a idéia de se realizar os mesmos apenas por meio de títulos de divida, afinal tal procedimento, habitual em nosso governo, sempre geral muitos problemas e temos urgência nas obras. 

Não temos a menor dúvida de que, a qualquer momento, o Ministério da Fazenda deve anunciar o aporte de recursos no BNDES sob qualquer argumento ou, ainda, uma emissão de debêntures via BNDESPAR S.A, ou nova emissão de ações, mas de alguma forma essa conta irá ser, novamente paga pelo setor privada. 

Disso não se tem dúvida., Afinal, esse é sempre o fim dessa história. 

Responsáveis pela análise:
* CEO do site i-press.biz, membro da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (SBGC)
** Analista de mercado internacional, membro da Associação Brasileira de Relações Internacional (ABRI)








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Jerônimo Lima
Vice-presidente do IBCO CEO da Mettodo
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